For what is a man, what has he got?
If not himself, than he has naugth
To say the things he truly feels
And not the words of one who kneels
My Way foi a sua vida, ao seu modo.
André Lazzarini - 2010/o8/15.
For what is a man, what has he got?
If not himself, than he has naugth
To say the things he truly feels
And not the words of one who kneels
My Way foi a sua vida, ao seu modo.
André Lazzarini - 2010/o8/15.
My Way
And now the end is near
And so I face the final curtain
My friend, I'll say it clear
I'll state my case of which I'm certain
I've lived a life that's full
I traveled each and every highway
And more, much more than this
I did it my way
Regrets, I've had a few
But then again, too few to mention
I did what I had to do
And saw it through without exemption
I've planned each charted course
Each careful step along the byway
And more, much more than this
I did it my way
Yes there were times, I'm sure you knew
When I bit off more than I could chew
But through it all when there was doubt
I ate it up and spit it out
I faced it all and I stood tall
And did it my way
I've loved, I've laughed and cried
I've had my fill, my share of losing
And now as tears subside
I find it all so amusing
To think I did all that
And may I say, not in a shy way
Oh no, oh no, not me
I did it my way
For what is a man, what has he got?
If not himself, than he has naugth
To say the things he truly feels
And not the words of one who kneels
The record shows, I took the blows
And did it my way
Um Dia Aprendes
Depois de algum tempo você aprende a diferença, a sutil diferença, entre dar a mão e acorrentar uma alma. E aprende que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança. E começa aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas. E começa aceitar as suas derrotas com a cabeça erguida e os olhos adiante, com a graça de uma criança e não a tristeza de um adulto.
E aprende a construir todas as suas estradas no hoje, porque o terreno de amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair ao meio ao vão. Depois de um tempo aprendes que o sol queima se ficares exposto por muito tempo. E aprende que não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam... E aceitas que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai magoar-te de vez em quando e tu tens de perdoá-la por isso.
Aprendes que falar pode aliviar as dores emocionais. Descobres que se levam anos para se construir confiança e apenas segundos para destruí-la e que você pode fazer coisas num instante, das quais te arrependerás para o resto da vida. Aprendes que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo em longas distâncias. E que o que importa não é o que você tem na vida, mas o que é na vida. E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher. Aprende que não temos de mudar os amigos se compreendermos que os amigos mudam, percebes que o teu amigo e você podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos.
Descobre que as pessoas com quem mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa, por isso, sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas, pode ser a última vez que as vejamos. Aprendes que as circunstâncias e os ambientes têm influência sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos. Começas aprender que não deve comparar com os outros, mas com o melhor que você mesmo pode ser. Descobre que leva muito tempo a tornar-te a pessoa que quer e que o tempo é curto. Aprende que não importa aonde já chegou, mas onde está indo. Aprendes que, ou controla os seus atos ou eles te controlarão, e que ser flexível não significa ser fraco ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação, sempre existem dois lados.
Aprende que heróis são aqueles que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as consequências. Aprende que paciência requer muita prática. Descobre que algumas vezes a pessoa que você espera que o chute quando você cai é uma das poucas que te ajuda a levantar. Aprende que a maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que se teve e o que você aprendeu com elas do que com quantos aniversários você celebrou.
Aprendes que há mais dos teus pais em você do que você supunha. Aprende que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são tolices, poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso. Aprende que quando estás com raiva tens o direito de estar com raiva, mas isso não te dá o direito de seres cruel.
Descobre que só porque alguém não te ama da maneira que quer que te ame, não significa que esse alguém não te ame com tudo que pode, pois existem pessoas que nos amam, mas não sabem como o demonstrar.
Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes tens que aprender a perdoar-se a si mesmo. Aprende que, com a mesma severidade com que julgas, serás em algum momento condenado. Aprende que não importa em quantos pedaços o teu coração foi partido, o mundo não para que o concerte. Aprende que o tempo não é algo que possa voltar para trás. Portanto, planta o teu jardim e decora a tua alma, em vez de esperar que alguém lhe traga flores.
E aprendes que realmente podes suportar... que realmente és forte, e que pode ir muito mais longe depois de pensares que não se pode mais. E que realmente a vida tem valor e que tu tens valor diante da vida! As nossas dúvidas são traidoras e fazem-nos perder o bem que poderíamos conquistar se não fosse o medo de tentar.
William Shakespeare
Dentre os caminhos e descaminhos da sociedade moderna, surgem soluções dadas como “fantásticas” e alardeadas como a “salvação” da sociedade e a tão desejada “solução” de um dos atuais problemas: a violência juvenil. Juvenil, porque começa nesta fase, mas se propaga por todas as idades e todos os setores desta sociedade que esta se (des) construindo. Pasmem: uma escola do interior do Norte do Paraná acredita estar “educando” quando presenteia – materialmente – os alunos que se comportam educadamente. A cada boa atitude do aluno significa um “sim” numa ficha de avaliação individual, que valem pontos e são convertidos em Reais para serem gastos no “Bazar do Comportamento”. Assim, os jovens portando suas “carteiras cheias de reais virtuais” deliciam-se no bazar gastando à vontade em roupas, brinquedos e outros mimos do consumismo.
Ora, isso é educação? Em tempos de Campanha da Fraternidade Ecumênica, enquanto pregamos que não podemos servir a Deus e ao dinheiro exatamente por causa do endeusamento dos valores deste consumismo doentio e do desvirtuamento moral da sociedade, assistimos uma entidade que se diz “educacional” ensinar o avesso: “sejam bonzinhos e educados que a sociedade lhe recompensará com presentes materiais”. Que belo exemplo de educação! Que futuro para estes jovens!
E onde ficaram os valores morais que deviam ser ensinados pelos educadores e pelas famílias, através do exemplo de vida, das regras sociais de comportamento, enfim, da educação propriamente dita? Foram jogados às sarjetas desta sociedade decadente.
Percebem que estes jovens estão aprendendo que seu bom comportamento vale um bem material ou monetário. Só isso! E não estão ensinando-os que o bom comportamento tem um valor moral e é o que rege a boa convivência e mantém a paz na sociedade. Deste modo, crescerão esperando sempre uma recompensa pela sua boa conduta. E, no dado momento em que a sociedade – vil e perversa como está sendo (des) construída – não puder recompensá-los, seus demônios interiores surgirão fortalecidos e vomitarão sua ira sobre a mesma, muito pior do que atualmente acontece.
A inversão dos valores educacionais é perversa. Tal método leva a um caminho pior quando os educadores imaginam que podem despertar valores morais nos jovens “comprando-os” por um preço qualquer, quando o correto seria despertar tais valores morais demonstrando que eles – os valores morais – são quem garante a pacífica convivência social.
Infelizmente eles nãoo fazem por mal: tais “educadores” também são vítimas do processo de deseducação que a nossa sociedade vive atualmente quando perpetua tal raciocínio torcido.
Os valores básicos, os conteúdos morais e a boa conduta civilizada da sociedade estão sendo desacreditados por modismos e resultam em famílias desagregadas, endeusando o dinheiro e materializando o maior bem que temos – a vida – atingindo o ápice total quando, através da pregação do livre aborto, sacrifica-se um ser humano para resguardar o corpo da mulher – o materialismo novamente sobressaindo-se à vida.
Resta-nos mantermo-nos atentos aos desvios de conduta desta sociedade desencaminhada e educar nossos filhos como fizeram conosco nossos pais, agindo corretamente sempre, pois se educa tanto através de exemplos quanto através de palavras. E, além disso, criticar, desaprovar e combater sempre todas estas promiscuidades travestidas de verdades e que estão sendo, sistematicamente, jogados numa mesma cesta, apresentando o podre como novo e moderno e o puro e verdadeiro como ultrapassado.
Publicado na Folha de Londrina - edição de 18/04/2010 - página 02
Ser Santo
O que é ser Santo?
Dentre diversos padrões criados para chegar à santificação, acredito em outros também. Ter uma vida honesta, honrar os pais, providenciar para si mesmo uma vida reta e segui-la, constituir uma família e viver por ela, manter princípios morais, educar os filhos em todos os sentidos e, também como parte da educação, ser um exemplo para seus descendentes.
Assim foi meu pai.
Meu pai nos deixou na madrugada do último sábado. Deixou-nos fisicamente... seu corpo não resistiu aos vírus, bactérias que tanto o incomodaram nos últimos meses. Seu organismo lutou intensamente, bravamente até o último instante. Assim com meu pai foi um lutador durante toda a sua vida, seu organismo também o foi. Não desistiu um instante sequer. Não cedeu um milímetro daquilo que ele sempre acreditou e viveu: nem seu corpo, nem sua alma, nem seu espírito. Manteve seus princípios éticos e morais até o último instante de sua vida.
Certamente foi seduzido por inúmeras vezes em sua vida, pela vida fácil, pela soberba, pelo materialismo, por padrões amorais e incorretos. Assim também as bactérias e vírus assediaram-no muitas vezes, mas ele nunca cedeu.
Foi vencido na última batalha dessa grande guerra? Não, certamente que não. As bactérias tomaram seu substrato material, que, ao contrário do que possam pensar, vai intoxicá-las e destruí-las invariavelmente durante os próximos dias. Seu corpo era material, apenas um meio pelo qual seu verdadeiro eu, sua bondosa alma, seu espírito de luz vivera durante os últimos setenta e cinco anos, distribuindo carisma, construindo um caráter exemplarmente inabalável.
Choramos pela perda da presença material, mas alegramo-nos pela sobrevivência espiritual. E ele, indubitavelmente, nos conduzirá ainda pelo resto de nossas vidas. De agora em diante, observando-nos de outro ângulo, e conduzindo-nos sempre que puder, intercedendo ao Criador por nossas vidas, sempre que isso for permitido.
Aqui, ao nosso lado, percebíamos sua presença física. Questionamo-lo inúmeras vezes sobre nossas dúvidas, agonias e ansiedades, e ouvimos seus sábios conselhos, suas orientações infalíveis, seu olhar amoroso, seu carinho disfarçado, sua providencial presença, suas preocupações sobre nossas vidas e nossos destinos.
Agora chegou a hora de seguirmos adiante sozinhos, mas acompanhados. Sozinhos fisicamente, olhando o mundo muito mais atentamente do que o percebíamos antes, e aplicarmos tudo aquilo que ele nos ensinou através de seu exemplo de ser. Teremos a certeza de que ele nunca nos abandonou; ao contrário, estará mais presente do que nunca, conduzindo-nos lá de cima, cuidando para que continuemos a ser como ele, e assim possamos ensinar e educar nossos filhos como ele o fez conosco. Padrões éticos, morais, cristãos, fé, perseverança, alegria, preocupação, providencial, amoroso, carinhoso a seu modo, intelectual, e tantas outras qualificações que o descreviam como o modelo de caminho à perfeição, modelo a seguir para, quando chegar nosso momento, termos também a certeza de que nossa missão terrena se cumpriu e que seguiremos também ao seu encontrou, junto ao Pai Eterno.
Pai, o Sr. fará muita falta. Mas o Sr. também nos preparou para enfrentar essa falta.
Esperamos ter aprendido.
Londrina, 29/08/2009.
Há trinta anos atrás, vivíamos sob um estado ditador. A democracia ainda era um sonho. Assim como a ditadura estava presente em toda a vida, tudo era ditado, tudo era policiado, tudo era controlado. Não podíamos falar o que quiséssemos, não podiamos atender as nossas vontades; tudo era dirigido, tudo era mandado e obedecido. Os pais tinham a força opressora e a palavra final. Aos filhos, restavam-lhes obedecer. Nas escolas, a mão de ferro dominava: os professores com seus controles, suas ameaças e coagindo os pupilos indefesos. Não conhecíamos ainda o vídeo cassete, mal assistíamos programas ao vivo – a maioria era vídeo tape, a censura escolhia aquilo que podíamos ou não ver. As músicas soavam do toca discos ou dos radinhos a pilha. Quando a saudade batia mandávamos uma carta ou aguardávamos as linhas disponíveis do interurbano. Computador, internet, correio eletrônico... nem pensar!
Mas, nada disso perdurou. Ou quase nada.
A tecnologia modernizou tudo. Ou quase tudo. A democracia chegou, trouxe a liberdade de expressão, a censura caiu, as famílias ficaram mais abertas, as opiniões afloraram e o diálogo triunfou. A televisão modernizou, veio o VCR, e em seguida o DVD que já está indo embora; os radinhos à pilha deram espaço aos aparelhos 3 em 1 e foram miniaturizados para mp3 e ipods; os computadores vieram para ficar, trazendo toda uma vida digital a tona; a internet com seus correios eletrônicos instantâneos diminuíram as distâncias e aproximaram as pessoas.
Mas nem tudo mudou.
Constatar, vinte e cinco anos depois, que o ensino continua medíocre é uma decepção muito grande. O ensino primário, ginasial e colegial que tornaram-se infantil, fundamental e médio até que apresentaram modificações significativas, incorporando conhecimentos e tecnologias, alterando o modo como se ensina as crianças e os jovens. Pelo menos, nas escolas particulares, aquele método tradicional já caiu há anos, dando espaço para a modernidade e novas formas que acompanham o mundo como um todo.
Pena que a universidade não acompanhou. Medíocre como era, mas antes fazia parte de um contexto e assim, por isso mesmo, tinha sua razão de ser assim. Enquanto trocamos e-mails, pesquisamos pela internet, lemos artigos atualíssimos publicados segundos antes de termos conhecimento, assistimos aulas de professores incompetentes, atrasados, mais chegados aos costumes ditatoriais do passado do que a uma possibilidade – ainda que remota – de modenizar-se.
Aqueles professores que utilizam a lista de chamada para manter quorum em suas classes; outros que ameaçam os alunos com o tradicional “isso vai cair na prova”, ou pior: “vocês vão ver só o resultados nas suas notas”... provocando náuseas em quem tem que aturar esses retrógrados, incompetentes e incapazes, que só restam-lhes a ameaça, a coação e a repressão como arma de auto afirmar-se na sua incompetência medíocre.
Não sei qual a saída desse sistema apodrecido. Mas é muito frustrante querer adquirir novos horizontes, novos saberes e procurar a universidade para tal e descobrir que, depois de um quarto de século, o sistema piorou, apodreceu e está largado no campo, para os vermes devorarem até o caroço.
Resta a curiosidade e ser autodidata para procurar o saber em fontes mais modernas. Esquecer a universidade e deixá-la para trás, porque desta que existe, nada mais resta a fazer. Não adianta mudarem os currículos, criarem disciplinas, procurarem novos cursos com nomes atuais, se não mudarem os mestres, aqueles responsáveis pela transmissão dos conhecimentos, mas mestres verdadeiros que o sejam por amor a camisa e não porque almejam sua aposentadoria; não incrementarem com novos métodos de ensino, que tornem o aprender um prazer e não uma forma de coagir e reprimir o aluno; procurar novas tecnologias, investir de verdade no ensino e no saber.
O absurdo dos absurdos é visto na universidade: o Brasil realmente é a terra da pirataria: um xerox copiando títulos inteiros, abertamente, para quem quiser ver e comprar... e os cientistas e doutores que forem formados por esta mesma instituição, chorarão seus direitos autorais nas máquinas xerográficas num ciclo estéril e injusto. Como ensinar ética quando na porta está o arrombo da própria? Como ensinar advogados a combaterem os crimes se a própria instituição os estimula? Como estimular os pensadores quando os próprios mestres corrompem com seu ganha-pão? Como ensinar sociologia, quando a instituição é desumana para com os sociólogos? Como ensinar responsabilidade social quando a irresponsabilidade habita em todos os setores?
É claro e óbvio que existem exceções. E honrosas exceções, pois são os valentes que impedem o apodrecimento total. Meu sincero reconhecimento à esses heróis. Pena que sejam poucos. Valentes e perseverantes, mas ainda poucos... idealistas e persistentes, mas ainda assim... poucos! A luta é eterna... como a batalha do cristão: sabemos que aqui não triunfaremos, pois nosso triunfo está além desse mundo. Ainda assim, não podemos desanimar e nunca desistir de nossas batalhas diárias...
Mais triste ainda é ver que loucos e insanos, os pobres estudantes do Ensino Médioentornam aos montes, descabelando-se num vestibular injusto para, como prêmio de conquistá-lo, receberem um ensino deficiente, uma estrutura gasta e defasada, um sistema precário e mentalidades perdidas no tempo.
Eu, que queria ver a luz dos conhecimentos, novos caminhos e novas esperanças, dentro da universidade, percebo que estou perdendo meu precioso tempo, repetindo uma história que já vivi na minha vida e achei que nunca mais ninguém teria que vivê-la. Pena dos nossos jovens, dos meus filhos que terão que enfrentá-la por pura falta de opção. Quanta mediocridade. Quanto desperdício de inteligência, de oportunidades, de progresso, de vida, de saber e de esperanças...
O erro mais comum e observado dentre a maioria daqueles que defendem o aborto é a defesa do direito à propriedade do seu corpo, tornando o feto “parte” do seu corpo.
Um braço é parte de um corpo, portanto, um braço é propriedade deste corpo. Assim, se o proprietário decide descartar seu braço, lhe será permitido (embora possa não ser aceito ou não compreendido seus motivos), mas nenhuma culpa lhe é imputada, já que ele é dono e pode fazer e desfazer daquilo que lhe pertence. O braço, por ser parte do todo, não é e nunca será capaz de permanecer vivo ou manter-se vivo fora do seu corpo. Ele pode permanecer utilizável, desde que adequadamente conservado; para que seus tecidos possam ser reutilizados ou reaproveitados. Mas um braço não tem autonomia e nem nunca conseguirá autonomia de sobrevivência, por mais tempo que permaneça junto do seu corpo de origem antes de ser amputado.
Se o indivíduo, proprietário de seu corpo e sua vida, resolve dar cabo da mesma, é seu direito. É livre para fazer e desfazer daquilo que é seu, é de sua propriedade. Não afetando fisicamente seus pares e semelhantes, o direito lhe é conferido em sua totalidade. As conseqüências deste fato afetarão tão e somente o próprio indivíduo. É claro que, havendo envolvimento emocional outros sofrerão. Mas não é disso que tratamos aqui.
Um feto, ao contrário, não lhe pertence. É independente. É um ser vivo que, embora não tenha autonomia durante certo tempo, terá em breve. Desde o momento da união dos gametas, surgiu um ser que conquista uma crescente autonomia a cada dia que passa, até que se tornará independente daqueles que lhe deram a vida. Se assim o é, não podemos considerá-lo uma mera parte de um todo, um apêndice que pode ser disposto ao sabor dos desejos daquele que se acha seu dono – e que, na verdade, apenas é um hospedeiro para que esse novo ser conquiste sua autonomia. Neste momento, quando é apenas um hóspede do corpo em que foi gerado, não pode ser tratado como um simples pedaço de carne que incomoda e que pode ser dispensado. "Estar hóspede" não lhe confere a obrigação de "ser propriedade" de alguém.
"Os vossos filhos não são vossos filhos,
são filhos e filhas do apelo à própria vida.
Vêm por meio de vós, mas não são propriedade vossa.
Embora estejam convosco,
não vos pertencem.
Vós podeis dar-lhes o vosso amor,
mas não os vossos pensamentos,
porque eles têm os seus próprios pensamentos.
Vós podeis acolher os seus corpos,
mas não as suas almas,
pois as suas suas almas habitam a casa do amanhã,
que vós não podeis visitar
nem mesmo nos vossos sonhos.
Vós podeis fazer esforço para serdes como eles,
mas não tenteis torná-los iguais a vós,
porque a vida não anda para trás
nem se retarda como o ontem.
Vós sois arcos através dos quais
os vossos filhos são projectados como flechas vivas.
Que a sua mira pela mão do Arqueiro
seja para a alegria."
Kahlil Gibran
É muito mais:
- cômodo separar-se, do que enfrentar a dificuldade do perdão incondicional, retomar suas vidas e reconstruir um relacionamento. Construir já não é fácil; reconstruir a partir de ruínas é muito mais difícil. Mas não é impossível.
- cômodo praticar o sexo sem responsabilidade, principalmente se é homem, e, atualmente também para as mulheres com a facilidade (e até legalidade) do recurso aborto (pílulas do dia seguinte, etc.).
- fácil abortar, pois o feto, indefeso, nada pode em sua defesa e em seu favor. É muito mais fácil escapar da responsabilidade de assumir seus atos, fugindo pela tangente, dizendo que o filho não é seu, que a mulher que deveria ter se cuidado, que a única saída agora é o aborto. No calor do relacionamento (se é que teve algum calor), ninguém pensa em seus atos, ninguém se sente responsável por aquilo que faz em nome do prazer fugaz, instantâneo, da beleza da rapidez e da falta de comprometimento. Se houver alguma conseqüência, encara-se quando ela acontecer, da forma mais fácil e mais inconseqüente de resolvê-la.
Oras, digo a todos vocês:
- poucos são aqueles que têm coragem de assumir uma paternidade ou de encarar uma gravidez em defesa do inocente que foi gerado por ambos. Se ele tivesse uma voz, uma forma de se defender, o que ele diria? “Pai, mãe, me perdoem por ter chegado a momento inoportuno, mas preservem minha vida, pois sou incapaz de fazê-lo sozinho”.
- poucos são aqueles que têm coragem de dizer: eu perdôo suas inconseqüências em nome da promessa que fiz no altar, diante de Deus Pai. Volta para casa, vamos reconstruir nossa vida, pelos nossos filhos, por nossos votos, pelo simples fato de assumirmos integralmente a responsabilidade daquilo que nos comprometemos.
Mas não:
- procura-se sempre o caminho mais curto e mais fácil, doa a quem doer. Nasceu, mata-se, se não dá certo, separo-me. O saldo? Entre mortos e feridos, a destruição da família, a destruição de sonhos, a destruição da sociedade. Tudo em prol do prazer rápido e fácil, do consumismo doentio, transformando vidas e sentimentos em mercadorias banais, a venda ou distribuição em qualquer esquina.